Contratação de fumacês provoca polêmica no Rio

Até alguns anos atrás, quando se ouvia um zumbido forte e um cheiro diferente invadia a casa, todo mundo sabia: era hora do fumacê. Hoje, em meio à explosão de casos de dengue e zika, doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, muita gente se pergunta: por onde ele anda? O veículo tem aparecido pouco em alguns bairros e está no centro de uma polêmica. Por um lado, condomínios contratam empresas particulares para espalhar inseticida pelas áreas comuns e apregoam sua eficácia. Por outro, pesquisadores alertam que o uso indiscriminado do produto químico não é eficiente porque torna o mosquito mais resistente. Apesar desse alerta, quem contrata o fumacê diz que não vai parar de fazê-lo.

— Sou síndico há oito anos do Barramares. Antes disso já contratávamos uma empresa particular para espalhar inseticida. O fumacê vem de duas a três vezes por semana e tem dado resultado. Ainda não escutei qualquer reclamação de morador e não vi nenhum pegar dengue ou zika. Logo depois que o carro passa, diminui a quantidade de mosquitos voando. Todo mundo percebem isso. Certa vez, o veículo da firma veio só uma vez em uma semana, por causa de um feriado, e moradores reclamaram muito, dizendo que já havia mais mosquitos — afirma Luiz Iootty, síndico-geral do condomínio na Barra.

O subsíndico do Edifício Rosa da Barra, Sylvio Pinho, também afirma não ter dúvidas sobre a eficácia do fumacê. Segundo ele, desde 2007, quando assumiu a administração do condomínio, não há registros de moradores com dengue ou zika. De duas a três vezes por semana, uma empresa espalha inseticida no local, serviço que custa aos moradores R$ 800 por mês. A orientação é que todos mantenham as janelas abertas.

João Lane, técnico agrícola e administrador do Sítio Santo Antônio, em Areal, na Região Serrana, é outro que defende o fumacê. Segundo ele, como há criação de cavalos no local, só a circulação do veículo evita a proliferação de mosquitos:

— Estou há 16 anos no sítio e sempre peço um fumacê uma vez por semana. Aqui, nunca registramos casos de dengue ou zika, e olha que temos muitas bromélias.

Inseticidas perdem efeito

A pesquisadora da Fiocruz Denise Valle afirma que o uso indiscriminado de fumacês pode aumentar a população de mosquitos imunes a inseticidas:

— Dos cinco inseticidas aprovados pelo Ministério da Saúde, o Aedes aegypti já é imune a quatro. Apenas um, chamado Malathion, ainda é eficaz, mas, se for usado em excesso, logo perderá efeito.

Segundo a pesquisadora, até 2000, usava-se compostos conhecidos como organofosforados para controle de larvas e Aedes aegypti adultos, mas, com o tempo, o produto perdeu a eficácia. O Ministério da Saúde decidiu então usar inseticidas diferentes, do grupo chamado de piretroides. São os mesmos encontrados em supermercados, e o mosquito também ficou imune a eles.

— Em vez dos 30 anos que as larvas demoraram para criar resistência aos organofosforados, os mosquitos adultos ficaram imunes aos piretroides em apenas três, por causa do uso massivo desses produtos — diz Denise.

A Secretaria municipal de Saúde destaca que o fumacê não sumiu das ruas e que seu uso é racionalizado. De acordo com o órgão, 120 veículos espalharam inseticida este ano em 325 roteiros em todas as regiões da cidade. Os roteiros são conjuntos de ruas determinados de acordo com dados epidemiológicos e com a incidência de casos de doenças relacionadas ao Aedes aegypt.

(O Globo)

Banco Central lança medida para estimular financiamento imobiliário

O governo tomou mais uma medida para tentar estimular o financiamento imobiliário. Segundo resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), as instituições financeiras passarão a ter um prazo de 12 meses para aplicarem recursos depositados na poupança em financiamentos imobiliários, quando venderem suas carteiras de crédito do setor para securitizadoras. O papel das securitizadoras neste caso é o de transformar esses financiamentos em títulos que rendem juros, os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI).

Até então, essa compensação precisava ocorrer de forma imediata. A regra que ainda vale até o fim do mês prevê que os bancos direcionem 65% do saldo médio dos recursos da caderneta para financiamentos de imóveis. Quando as instituições não conseguem atingir essa meta, são obrigadas a recolher a quantia que falta para atingir o porcentual no BC – os chamados depósitos compulsórios.

Com rendimento baixo, e em alguns casos até nulo, deixar o dinheiro parado no BC é tudo o que os bancos tentam evitar. Ao conceder um prazo mais elástico, o governo tentar fazer o dinheiro girar. Em 12 meses, os bancos passam a ter mais fôlego para obter novos recursos e aplicar no setor imobiliário.

Resultado controverso

As novas regras animaram parte dos representantes do setor da construção. Eles acreditam que as mudanças podem aumentar o fluxo de empréstimos para aquisição de imóveis ou comerciais. No entanto, o otimismo não foi unânime e alguns especialistas mostraram receio com as mudanças, que poderiam ter o resultado contrário para os financiamentos.

Para o presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Flavio Amary, as novas regras estimulam o sistema financeiro e ajudam a evitar que os recursos fiquem “engessados” no BC. “Ao dar mais prazo para os bancos, as instituições conseguem se organizar melhor para esse tipo de iniciativa. A venda de recebíveis imobiliários para securitização faz com que os bancos tenham mais recursos”, afirmou.

O impacto dessas regras, porém, não deve ocorrer no curto prazo. Para Amary, o efeito será positivo no médio prazo, por causa do tempo do processo de securitização e geração de recursos. “Não é só apertar um botão e conseguir, de imediato, ativos vendidos e empacotados. É um processo que, com o tempo, deve ajudar operações no sistema financeiro e aumentar fluxo para o mercado imobiliário.”

Dinheiro carimbado

O vice-presidente de economia do Sindicato da Construção de São Paulo (SindusCon-SP), Eduardo Zaidan, afirmou que as mudanças parecem ser “racionais” em um momento de demanda enfraquecida no mercado de imóveis, em que o volume de crédito pode estar reprimido. Mas o executivo teme que a medida se prolongue e diminua os recursos disponíveis para o mercado de imóveis num momento de recuperação, por causa da dilatação do prazo e flexibilização da gestão do crédito.

“Hoje, sabemos que a demanda está baixa tanto do crédito para produção quanto para o consumidor final, por causa do quadro econômico. O receio é que a medida seja colocada e ninguém retire quando houver uma recuperação”, disse. “O mercado em geral não gosta de dinheiro carimbado, como é o caso da poupança. E, volta e meia, aparece um esforço para liberar dinheiro.”

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, avaliou o prazo de 12 meses da medida como “razoável”, pois “é muito difícil que a instituição venda parte da carteira de crédito imobiliário e recomponha no dia seguinte”. Martins minimizou o risco de faltar crédito imobiliário num momento de retomada do mercado, por causa da competição entre os bancos.

“A medida interessa, em grande parte, aos bancos que têm apetite por crédito imobiliário. Os bancos enfrentam algumas dificuldades hoje, porque antes concederam muito empréstimo para o setor. Mas quando o mercado voltar, eles vão fazer de tudo, de novo, para recuperar o espaço”, disse Martins.

(Agência Estado)

MP permite entrada de agentes em locais suspeitos de terem foco do Aedes aegypti

Para ampliar a capacidade de combate ao Aedes aegypti, o governo editou a Medida Provisória nº 712, ampliando os poderes das autoridades de saúde de âmbito federal, estaduais e municipais no combate ao mosquito que transmite dengue, chikungunya e zika. Uma das principais novidades da MP é a possibilidade de ingresso forçado em imóveis públicos e privados considerados abandonados ou em situação de ausência do responsável.

O ingresso em imóveis fechados será realizado após avaliação das autoridades de saúde, quando a ação for considerada essencial para o combater focos do mosquito. A MP foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (1º de fevereiro) e já está em vigor .

Para efeitos de fiscalização, o imóvel será considerado abandonado quando for constatada “flagrante ausência prolongada de utilização, o que pode ser verificado por suas características físicas, por sinais de inexistência de conservação, pelo relato de moradores da área ou por outros indícios que evidenciem a sua não utilização”.

Ainda de acordo com a MP, a ausência será classificada quando, após duas tentativas do agente de saúde, realizadas em horários e dias alternados, em um intervalo de 10 dias, não for localizado um responsável que realize a abertura do imóvel para um agente de saúde realizar a inspeção de possíveis criadouros do mosquito.

A Medida Provisória prevê que o agente de saúde que precisar recorrer ao ingresso forçado no imóvel deverá elaborar um relatório, explicando quais medidas sanitárias foram adotadas no combate ao Aedes aegypti.

Se necessário, o agente poderá requerer o auxílio das autoridades policiais para o ingresso forçado. Essa entrada deverá ser realizada sempre observando a integridade do imóvel. A MP também prevê a realização de campanhas educativas e de orientação à população.

Obras

Em outra frente de ação, o Ministério das Cidades publicou nesta segunda-feira (1º de fevereiro) uma portaria que institui ações preventivas para combater o mosquito da dengue em canteiros de obras dos empreendimentos integrantes do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A portaria estabelece que os responsáveis pela execução pelas obras deverão orientar os funcionários, diretos ou indiretos, com campanhas de sensibilização e esclarecimentos que informem as medidas necessárias para evitar a reprodução e eliminar eventuais criadouros do mosquito nos canteiros de obras, alojamentos, nas suas casas e vizinhanças.

(Portal Brasil)


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