{"id":1831,"date":"2018-03-19T14:48:03","date_gmt":"2018-03-19T14:48:03","guid":{"rendered":"http:\/\/atlantida-adm.com.br\/blog\/?p=1831"},"modified":"2018-03-19T14:48:03","modified_gmt":"2018-03-19T14:48:03","slug":"o-rio-continua-surreal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/atlantida-adm.com.br\/_site\/o-rio-continua-surreal\/","title":{"rendered":"O Rio continua &#8216;surreal&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">Mesmo entrando no terceiro ano de crise financeira e com o seu PIB crescendo abaixo da m\u00e9dia nacional, o custo de vida no Rio ainda \u00e9 &#8220;surreal&#8221;. A escalada de pre\u00e7os que ocorreu antes da Copa e da Olimp\u00edada at\u00e9 perdeu f\u00f4lego, mas n\u00e3o impediu que a cidade permanecesse entre as mais caras do pa\u00eds. Comer, pagar aluguel, comprar im\u00f3vel, andar de metr\u00f4, abastecer o carro e usar energia custam mais para o carioca. Em todos esses itens, o Rio tem o pre\u00e7o mais alto ou o segundo maior do pa\u00eds.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">O aumento dos gastos das empresas com seguran\u00e7a, as al\u00edquotas mais altas de impostos, o apelo tur\u00edstico internacional e a alta concentra\u00e7\u00e3o de servidores p\u00fablicos explicam por que os pre\u00e7os n\u00e3o cedem a ponto de tornar a cidade mais barata para viver.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">&#8211; O turismo coloca os pre\u00e7os na Zona Sul muito l\u00e1 em cima, de im\u00f3veis a servi\u00e7os. E o grande n\u00famero de servidores p\u00fablicos, uma heran\u00e7a do tempo em que fomos capital do pa\u00eds, garante uma renda maior para essa popula\u00e7\u00e3o, estimulando historicamente a alta de pre\u00e7os &#8211; comenta Andr\u00e9 Braz, economista respons\u00e1vel pelo monitoramento de pre\u00e7os do Ibre\/FGV.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">A taxa de desemprego na capital fluminense, por\u00e9m, mais que dobrou nos \u00faltimos dois anos, e o rendimento m\u00e9dio real do trabalhador carioca caiu 8% no fim de 2017, para R$ 2.842. \u00c9 o nono no pa\u00eds &#8211; um ano antes era o sexto, segundo o IBGE.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">O salto de pre\u00e7os ocorreu com mais for\u00e7a na primeira metade desta d\u00e9cada. A Rio 2016 supervalorizou im\u00f3veis e servi\u00e7os, e a infla\u00e7\u00e3o explodiu em 2015, chegando a 10,5% na Regi\u00e3o Metropolitana.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">Marcos Pazzini, diretor do IPC Marketing, monitora h\u00e1 mais de 20 anos o potencial de consumo dos brasileiros. Segundo ele, o Rio tem historicamente um padr\u00e3o de consumo t\u00e3o alto que, mesmo com a queda nos pre\u00e7os de itens que pesam no or\u00e7amento, como moradia e alimenta\u00e7\u00e3o, a capital n\u00e3o se tornou mais barata em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">&#8211; Mesmo em um per\u00edodo recessivo e com os atrasos nos pagamentos de fornecedores e servidores p\u00fablicos (h\u00e1 quase um milh\u00e3o no Rio, concentrados na capital), o com\u00e9rcio e os servi\u00e7os t\u00eam seus custos. O empres\u00e1rio precisa sustentar seu estabelecimento e lucrar &#8211; explica Pazzini.<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #014587;\">VIOL\u00caNCIA AUMENTA CUSTOS E SEGURA PRE\u00c7OS<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">Um exemplo s\u00e3o os alimentos. No ano passado, o pre\u00e7o m\u00e9dio da cesta b\u00e1sica medido pelo Dieese caiu no Rio, para R$ 425,07, frente aos R$ 444,47 do ano anterior. Desde 2010, a capital tem a quarta ou quinta cesta mais cara do pa\u00eds. Mas os pre\u00e7os dos alimentos come\u00e7aram 2018 avan\u00e7ando na capital e, em fevereiro, dado mais recente, a cesta subiu para R$ 438,63, o valor mais alto no pa\u00eds. Foi seguida por S\u00e3o Paulo (R$ 437,33) e Porto Alegre (R$ 434,50). O menor pre\u00e7o estava em Aracaju (R$ 341,59).<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">O recuo registrado nos mercados de venda e loca\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis tamb\u00e9m n\u00e3o alterou a posi\u00e7\u00e3o do Rio em rela\u00e7\u00e3o ao restante do pa\u00eds. De acordo com o \u00edndice FipeZap, pelo menos nos \u00faltimos seis anos o Rio tem o metro quadrado m\u00e9dio mais caro para venda do pa\u00eds. Houve uma retra\u00e7\u00e3o de 7,9% acumulada nos \u00faltimos tr\u00eas anos, mas a cidade seguiu com o patamar mais elevado. Em fevereiro deste ano, o metro quadrado no Rio custava, em m\u00e9dia, R$ 9.686 para compra, enquanto que a m\u00e9dia das 20 cidades monitoradas ficou em R$ 7.549.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">&#8211; Como houve uma alta muito grande de 2009 a 2013, essa queda mais recente n\u00e3o \u00e9 percebida facilmente. Mas o Rio est\u00e1 sentindo a crise, \u00e9 a cidade que sofre a maior desvaloriza\u00e7\u00e3o dos im\u00f3veis atualmente &#8211; explica a gerente de Intelig\u00eancia de Mercado do Grupo ZAP Viva Real, Cristiane Crisci.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">Com essa desvaloriza\u00e7\u00e3o, o Rio perdeu para S\u00e3o Paulo a primeira posi\u00e7\u00e3o no ranking do metro quadrado para aluguel mais caro do pa\u00eds no ano passado. Os pre\u00e7os na capital fluminense ca\u00edram 8,49% em rela\u00e7\u00e3o a 2016. O dado mais recente, referente a janeiro, mostra que o Rio segue em segundo lugar (R$ 31,15\/m\u00b2), mas acima da m\u00e9dia nacional das 15 cidades monitoradas (R$ 28,05\/m\u00b2).<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">O valor alto do aluguel \u00e9 o principal peso no or\u00e7amento da universit\u00e1ria Alice Portes, de 21 anos, que, com 17, veio de Manhumirim, em Minas Gerais, estudar no Rio. Faz est\u00e1gio e mora sozinha em uma quitinete no Flamengo. S\u00f3 consegue se manter com a ajuda financeira dos pais.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">&#8211; A diferen\u00e7a dos pre\u00e7os em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cidade de onde vim \u00e9 muito grande. Aqui, tudo \u00e9 muito caro, o que acaba afetando tamb\u00e9m a renda dos meus pais. Com aluguel, por exemplo, gasto 140% mais do que se morasse em Minas. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s despesas do dia a dia, gasto, em m\u00e9dia, 80% mais &#8211; conta Alice.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">Al\u00e9m disso, o aumento da viol\u00eancia, principalmente do roubo de cargas, tem elevado os custos \u00e0s empresas. E estas evitam uma redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os de seus produtos e servi\u00e7os, apesar de o desemprego ter quase triplicado na capital nos \u00faltimos dois anos, atingindo 438 mil pessoas ao fim de 2017.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">&#8211; Aqui em S\u00e3o Paulo dizemos que enviar carga para o Rio \u00e9 igual a jogar contra o Corinthians no Itaquer\u00e3o (est\u00e1dio do clube). Voc\u00ea precisa ir, mas sabe que vai ser roubado &#8211; brinca Pazzini.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">Com a inseguran\u00e7a maior, o carioca tamb\u00e9m passou a pagar mais pelo seguro de carro. Dados do IBGE mostram que, enquanto no pa\u00eds a alta m\u00e9dia foi de 1,59% no acumulado dos 12 meses at\u00e9 fevereiro deste ano, o reajuste das ap\u00f3lices foi de quase 15% no Rio. Foi a terceira maior varia\u00e7\u00e3o no per\u00edodo, atr\u00e1s apenas de Recife (16%) e Vit\u00f3ria (15,37%). Os dados de roubos ajudam a explicar o aumento. De acordo com o Instituto de Seguran\u00e7a P\u00fablica, o furto de ve\u00edculos saltou 30% em 2017, de 41.696, em 2016, para 54.367, no ano passado.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">O roubo de energia el\u00e9trica tamb\u00e9m explica, em parte, o Rio ter a tarifa mais cara entre as capitais do pa\u00eds, de acordo com levantamento realizado pela empresa Comerc. Com reajustes anunciados na \u00faltima ter\u00e7a-feira para os servi\u00e7os fornecidos por Enel e Light, o quilowatt-hora (kWh) na capital passou a custar R$ 0,975 e R$ 0,910, respectivamente. Os novos valores valem a partir de hoje.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">Pesa tamb\u00e9m, explica o presidente da Comerc Energia, Cristopher Vlavianos, o ICMS sobre esse servi\u00e7o no estado ser o maior do pa\u00eds: 30%. Isso faz com que 42,7% do valor cobrado pelo kWh sejam destinados ao pagamento do tributo. Em S\u00e3o Paulo, onde o ICMS \u00e9 de 18%, o valor do kWh \u00e9 praticamente a metade do praticado no Rio: R$ 0,573.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">&#8211; Rio, Amazonas e Par\u00e1 t\u00eam a maior incid\u00eancia de gatos de energia. A distribuidora tem um custo que precisa ser dividido entre os consumidores &#8211; explica Vlavianos.<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #014587;\">PIB DO ESTADO FICA ABAIXO DA M\u00c9DIA NACIONAL<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">A carga maior de ICMS, 34%, tamb\u00e9m explica uma gasolina mais cara no Rio. O litro na capital fluminense custa, em m\u00e9dia, R$ 4,646, de acordo com dados da Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo (ANP). Fica atr\u00e1s apenas de Rio Branco, com R$ 4,772. O ICMS \u00e9 o principal peso na forma\u00e7\u00e3o do valor do litro, equivale a um ter\u00e7o do pre\u00e7o final.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">&#8211; O ICMS \u00e9 o tributo de maior circula\u00e7\u00e3o e maior arrecada\u00e7\u00e3o, pois incide sobre todos os produtos e em toda a cadeia. Por isso, uma al\u00edquota mais alta tem um peso grande no valor final ao consumidor &#8211; explica o presidente executivo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributa\u00e7\u00e3o (IBPT), Jo\u00e3o Eloi Olenike, ressaltando que o Estado do Rio tem a maior al\u00edquota geral do pa\u00eds, de 20%, enquanto a dos demais fica entre 17% e 18%.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">A Secretaria estadual de Fazenda explica que uma faixa de consumo de energia el\u00e9trica, os produtos que comp\u00f5em a cesta b\u00e1sica e alguns outros alimentos e produtos de higiene t\u00eam al\u00edquotas &#8220;diferenciadas&#8221; de ICMS, o que &#8220;ajuda a compensar os setores em que a incid\u00eancia do tributo \u00e9 mais alta&#8221;.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">No caso dos transportes, apesar de uma malha metrovi\u00e1ria restrita, a cidade tem o segundo metr\u00f4 mais caro do pa\u00eds, com a passagem custando R$ 4,30. O Rio perde para Bras\u00edlia, que cobra R$ 5.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">Segundo proje\u00e7\u00f5es do Ita\u00fa, o PIB do Estado do Rio vai seguir crescendo, em m\u00e9dia, 1,6% ao ano at\u00e9 2022. Essa foi a mesma performance observada entre 2010 e 2015. Em ambos os recortes, fica abaixo da m\u00e9dia nacional. Mesmo assim, a tend\u00eancia, segundo Braz, do Ibre\/FGV, \u00e9 que os pre\u00e7os sigam acelerando, acompanhando uma leve melhora prevista no mercado de trabalho.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: #878787;\">(O Globo, Daiane Costa e Luana Souza, 15\/mar)<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo entrando no terceiro ano de crise financeira e com o seu PIB crescendo abaixo da m\u00e9dia nacional, o custo de vida no Rio ainda \u00e9 &#8220;surreal&#8221;. 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