
Levantamento com base no MTE mostra como está o saldo de empregos e quais cargos mais cresceram nos condomínios do RJ
Os condomínios prediais do Estado do Rio de Janeiro apresentaram estabilidade no saldo de empregos formais no período de janeiro de 2025 a fevereiro de 2026. O levantamento, realizado pelo Centro de Pesquisas e Análises da Informação (Cepai) com base em dados oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), indica equilíbrio entre admissões e desligamentos no setor.
Foram registradas 22.103 admissões e 21.922 desligamentos, resultando em saldo positivo de 181 vagas, número que sinaliza manutenção do nível de emprego nos condomínios fluminenses.
Cargos com maior variação no saldo
A análise por função revela movimentações distintas dentro da estrutura operacional dos condomínios.
Os dois cargos com maiores saldos positivos foram:
- Faxineiro
- Zelador de edifício
Já os dois cargos que apresentaram maiores saldos negativos foram:
- Porteiro de edifícios
- Vigia
O resultado aponta uma recomposição mais intensa nas áreas de limpeza e zeladoria, enquanto funções ligadas à portaria e vigilância registraram maior volume de desligamentos no período.
Esse cenário está relacionado, entre outros fatores, à expansão das portarias virtuais e à adoção de sistemas de controle de acesso cada vez mais tecnológicos. A modernização dos protocolos de segurança, com monitoramento remoto e automação, tem reduzido a necessidade de postos presenciais contínuos, especialmente nas funções tradicionais de portaria.
O movimento indica uma reconfiguração operacional no setor, em que tecnologia e reorganização de equipes passam a influenciar diretamente a composição da força de trabalho condominial.
Diferença no salário médio entre admitidos e desligados
No recorte salarial, o estudo mostra que o salário médio nas admissões foi de R$ 1.956,91, enquanto nos desligamentos a média chegou a R$ 2.019,20.
A diferença sugere que parte das movimentações pode estar relacionada à substituição de trabalhadores com maior tempo de serviço por novos profissionais com remuneração inicial inferior, movimento que impacta diretamente o planejamento orçamentário condominial.
Faixa etária: desligamentos superam admissões apenas acima de 60 anos
Entre as faixas etárias analisadas, apenas o grupo acima de 60 anos apresentou mais desligamentos do que admissões.
Nas demais faixas, o número de contratações superou o de demissões, indicando renovação da força de trabalho e manutenção da atividade no setor.
Escolaridade influencia o saldo de empregos
O levantamento também revela um recorte relevante em relação à escolaridade.
Houve mais desligamentos do que admissões entre trabalhadores com escolaridade abaixo do ensino médio completo.
Por outro lado, nas faixas de escolaridade a partir do ensino médio completo, incluindo ensino superior e pós-graduação, o número de admissões superou o de desligamentos.
O dado indica tendência de maior exigência de qualificação mínima para permanência e ingresso no mercado condominial.
Saldo por sexo e diferença salarial nas admissões
No recorte por sexo, o saldo entre os homens foi negativo, enquanto entre as mulheres foi positivo.
Outro ponto de destaque está na média salarial das admissões: as mulheres ingressaram com salário médio de R$ 2.233,90, acima da média de R$ 2.073,16 registrada para os homens no mesmo período.
Idade média reforça movimento de renovação
A análise da idade média, correlacionada ao sexo, também evidencia um movimento de substituição geracional.
Entre os homens:
- Idade média de admissão: 38,9 anos
- Idade média de desligamento: 41,7 anos
Entre as mulheres:
- Idade média de admissão: 35,5 anos
- Idade média de desligamento: 37,5 anos
Os números indicam que os profissionais desligados, em média, possuem idade superior à dos admitidos, reforçando a tendência de renovação da mão de obra.
Indicadores estratégicos para síndicos e administradoras
Ao consolidar dados oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego, o levantamento do Cepai oferece um panorama detalhado do comportamento do mercado de trabalho nos condomínios prediais fluminenses.
Para síndicos e gestores, as informações são fundamentais para:
- Planejamento orçamentário e previsão de encargos trabalhistas
- Avaliação de rotatividade em funções estratégicas
- Definição de políticas de retenção e qualificação
- Análise de perfil etário e escolaridade da equipe
Mesmo com saldo positivo discreto, os dados mostram um setor em movimento, com ajustes internos na composição da força de trabalho e maior peso da qualificação formal.
O acompanhamento sistemático desses indicadores permite uma gestão mais técnica, preventiva e alinhada às transformações do mercado condominial.
Fonte: Secovi Rio